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O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.  

Dia 15 de Novembro – Terça-feira

XXXIII SEMANA DO TEMPO COMUM
(Verde – Ofício do Dia)


Antífona de Entrada

Meus pensamentos são de paz e não de aflição, diz o Senhor. Vós me invocareis, e hei de escutar-vos, e vos trarei de vosso cativeiro, de onde estiverdes (Jr 29,11s.14).


Oração do dia

Senhor nosso Deus, fazei que a nossa alegria consista em vos servir de todo o coração, pois só teremos felicidade completa servindo a vós, o criador de todas as coisas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


Leitura (Apocalipse 3,1-6. 14-22.)

Leitura do livro do Apocalipse de são João.
3 1 Ao anjo da igreja de Sardes, escreve: “Eis o que diz aquele que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas. Conheço as tuas obras: és considerado vivo, mas estás morto.
2 Sê vigilante e consolida o resto que ia morrer, pois não achei tuas obras perfeitas diante de meu Deus.
3 Lembra-te de como recebeste e ouviste a doutrina. Observa-a e arrepende-te. Se não vigiares, virei a ti como um ladrão, e não saberás a que horas te surpreenderei.
4 Todavia, tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram suas vestes; andarão comigo vestidas de branco, porque o merecem.
5 O vencedor será assim revestido de vestes brancas. Jamais apagarei o seu nome do livro da vida, e o proclamarei diante do meu Pai e dos seus anjos.
6 Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
14 Ao anjo da igreja de Laodicéia, escreve: Eis o que diz o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira, o Princípio da criação de Deus.
15 Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente!
16 Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te.
17 Pois dizes: ‘Sou rico, faço bons negócios, de nada necessito’ – e não sabes que és infeliz, miserável, pobre, cego e nu.
18 Aconselho-te que compres de mim ouro provado ao fogo, para ficares rico; roupas alvas para te vestires, a fim de que não apareça a vergonha de tua nudez; e um colírio para ungir os olhos, de modo que possas ver claro.
19 Eu repreendo e castigo aqueles que amo. Reanima, pois, o teu zelo e arrepende-te.
20 Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo.
21 Ao vencedor concederei assentar-se comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono.
22 Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.
Palavra do Senhor.


Salmo Responsorial 14/15

Ao vencedor, dar-lhe-ei o direito
De sentar-se comigo no meu trono.

“Quem morará em vossa casa?”
É aquele que caminha sem pecado
e pratica a justiça fielmente;
que pensa a verdade no seu íntimo
e não solta em calúnias sua língua.

Que em nada prejudica o seu irmão,
nem cobre de insultos seu vizinho;
que não dá valor algum ao homem ímpio,
mas honra os que respeitam o Senhor.

Não empresta o seu dinheiro com usura
nem se deixa subornar contra o inocente.
Jamais vacilará quem vive assim!


Evangelho (Lucas 19,1-10)

Aleluia, aleluia, aleluia.
Por amor, Deus enviou-nos o seu filho como vítima por nossas transgressões (1Jo 4,10).
 
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
19 1 Jesus entrou em Jericó e ia atravessando a cidade.
2 Havia aí um homem muito rico chamado Zaqueu, chefe dos recebedores de impostos.
3 Ele procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, porque era de baixa estatura.
4 Ele correu adiante, subiu a um sicômoro para o ver, quando ele passasse por ali.
5 Chegando Jesus àquele lugar e levantando os olhos, viu-o e disse-lhe: “Zaqueu, desce depressa, porque é preciso que eu fique hoje em tua casa”.
6 Ele desceu a toda a pressa e recebeu-o alegremente.
7 Vendo isto, todos murmuravam e diziam: “Ele vai hospedar-se em casa de um pecador”.
8 Zaqueu, entretanto, de pé diante do Senhor, disse-lhe: “Senhor, vou dar a metade dos meus bens aos pobres e, se tiver defraudado alguém, restituirei o quádruplo”.
9 Disse-lhe Jesus: “Hoje entrou a salvação nesta casa, porquanto também este é filho de Abraão”.
10 Pois o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.
Palavra da Salvação.


Comentário ao Evangelho

ZAQUEU, O PURO
            Tomando como ponto de partida o significado do nome hebraico de Zaqueu – Zakkai – o puro –, é possível descobrir um sentido escondido nas entrelinhas do episódio evangélico: a presença purificadora de Jesus na vida do cobrador de impostos de Jericó.
            Apesar de seu nome, Zaqueu estava longe de viver a pureza de coração. O fato de ser um rico cobrador de impostos não deixa margem para dúvidas. Era ávido de dinheiro, acumulado à custa de fraude e corrupção. Sua riqueza fora obtida por meios escusos, fruto de um coração corrompido.
            Seu desejo de ver Jesus talvez tivesse brotado de uma simples curiosidade, sem ser uma verdadeira disposição de ânimo para se deixar questionar por ele. Sendo odiado pelo povo e não podendo encontrar lugar em nenhuma casa da rua principal da cidade, e também por ser de baixa estatura,  tomou a iniciativa de subir numa árvore, de onde pudesse ter uma visão privilegiada de Jesus. Este gesto pode ser revelador de algo mais profundo.
            Aconteceu, então, o inesperado: foi visto pelo Mestre, que o chamou pelo nome e mostrou-se disposto a hospedar-se em sua casa. Foi o começo da purificação do coração de Zaqueu. Acolhendo Jesus, acolhia a salvação. O primeiro sinal de que a salvação entrara naquele coração foi sua disposição de desapegar-se do dinheiro desonesto e mostrar-se solidário com os pobres. Finalmente, conseguiria obter a pureza que seu nome evocava.

Oração
Pai, faze-me puro de coração, como o Zaqueu convertido, tornando-me desapegado das coisas deste mundo e capaz de dividi-las com os pobres.


Sobre as Oferendas

Concedei, Senhor nosso Deus, que a oferenda colocada sob o vosso olhar nos alcance a graça de vos servir e a recompensa de uma eternidade feliz. Por Cristo, nosso Senhor.


Antífona da Comunhão

Para mim só há um bem: é estar com Deus, é colocar o meu refúgio no Senhor (Sl 72,28).


Depois da Comunhão

Tendo recebido em comunhão o Corpo e o Sangue do vosso Filho, concedei, Ó Deus, possa esta eucaristia, que ele mandou celebrar em sua memória, fazer-nos crescer em caridade. Por Cristo, nosso Senhor.

MEMÓRIA FACULTATIVA

SANTO ALBERTO MAGNO
(Branco – Ofício da memória)


Oração do Dia

Ó Deus, quisestes eu o bispo santo Alberto fosse grande porque soube conciliar a sabedoria humana e a verdadeira fé; dai-nos na escola de tão grande mestre, conhecer-vos e amar-vos mais profundamente na medida em que progredimos nas ciências. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


Sobre as Oferendas

Seja do vosso agrado, ó Pai, este sacrifício, celebrado na festa de santo Alberto Magno, e, seguindo seu exemplo, seja plena a nossa dedicação ao vosso louvor. Por Cristo, nosso Senhor.


Depois da Comunhão

Ó Pai, instrui pelo Cristo mestre aos que saciastes com o Cristo que é pão da vida, para que, na festa de santo Alberto Magno, possamos aprender a verdade e vivê-la com amor. Por Cristo, nosso Senhor.


Santo do Dia / Comemoração (SANTO ALBERTO MAGNO)

Um ser pleno de virtudes, ciência, sabedoria e fé inabalável, grandioso em todos os sentidos. Frei dominicano, pregador eloqüente, magistral professor das ciências naturais e das doutrinas da fé, escritor, fundador, bispo e, finalmente, doutor da Igreja. Sim, essas qualificações pertencem a santo Alberto Magno, um dos mais importantes da Igreja e da humanidade.

O grande filósofo e teólogo que dedicou sua vida na busca incansável do encontro da ciência com a fé, e que se destacou, principalmente, pela humildade e caridade. Escreveu mais de vinte e duas obras sobre teologia e ciências naturais – como a filosofia, a química, a física, e a botânica -, além de inúmeros tratados sobre as artes práticas – como tecelagem, navegação, agricultura, Foi, sobretudo, um profundo observador e amante da natureza. Por tudo isso, ainda em vida era chamado de “o Magno” por seus contemporâneos.

Entretanto, ainda jovem, quase desistiu da vida religiosa, sentia dificuldades no entendimento do estudo da teologia. Mas segundo ele próprio, foi Nossa Senhora que o fez perseverar. Devotíssimo da Virgem Maria, durante as orações ela o teria aconselhado a não desistir, pois, se o fizesse, pouco a pouco os dons que tinha recebido lhe seriam tirados. Desde então, dizia: “Minha intenção última está na ciência de Deus”. E sem dúvida, a forma rápida e fácil como aprendia tudo e a clareza com que pregava, explicava e ensinava, eram dons divinos.

Nascido em 1206, na Alemanha, Alberto pertencia à influente e poderosa família Bolsadt, rica, nobre, cristã e de tradição militar. Piedoso desde a infância, Alberto recebeu uma educação muito aprimorada, digna dos nobres. Porém sempre deixou evidente a sua preferência pelos estudos das ciências naturais e pela religião às alegrias fúteis da Corte.

Aos dezesseis anos, foi para a Universidade de Pádua, na Itália, onde, sob a tutela de Maria, completou os estudos superiores. Em 1229, tornou-se frade dominicano pregador. Lecionou nos principais pólos de cultura europeus de sua época, Itália, Alemanha e França. Em Paris, atraiu tantos estudantes e discípulos que teve de lecionar em praça pública. Que passou a ser chamada de praça Maubert, graças a santo Alberto Magno. O nome é uma derivação de Magnus Albert, e existe até hoje. Lá, entre seus discípulos, estava santo Tomás de Aquino, outro dominicano cuja importância não é menor.

Em 1254, eleito superior provincial de sua ordem na Alemanha, abriu mão da cátedra de Paris para ficar na comunidade dominicana sob sua direção, quando demonstrou todo o seu espírito de monge pobre e humilde. Viajou por grande parte da Alemanha sempre a pé e pedindo esmolas no caminho para alimentar-se. Assim, ele fundou vários conventos, além de renovar os já existentes.

Em 1260, foi nomeado bispo de Ratisbona, ocupando o cargo por dois anos, quando pediu exoneração. Não estava interessado no poder e sim no saber, voltou para a vida simples no convento que ele fundara e ao ensino na Universidade de Colônia. Já entrado nos setenta anos, foi incumbido pelo papa Urbano IV de liderar as cruzadas na Alemanha e na Boêmia. Em 1274, teve participação decisiva na união da Igreja grega com a latina, no segundo Concílio de Lyon.

Três anos antes de sua morte, santo Alberto Magno começou a perder a memória. Mandou, então, construir sua própria sepultura, e rezava o ofício dos mortos todos os dias. Morreu, serenamente, no dia 15 de novembro de 1280. O papa Pio XI canonizou-o proclamou-o doutor da Igreja em 1931. Dez anos depois, o papa Pio XII declarou-o padroeiro dos estudiosos das ciências naturais.

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