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Os cabelos de vossa cabeça estão todos contados  

Dia 14 de Outubro – Sexta-feira

XXVIIII SEMANA DO TEMPO COMUM
(Verde – Ofício do Dia)


Antífona de Entrada

Senhor, se levardes em conta as nossas faltas, quem poderá subsistir? Mas em vós encontra-se o perdão, Deus de Israel (129,3s).


Oração do dia

Ó Deus, sempre nos preceda e acompanhe a vossa graça, para que estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


Leitura (Efésios 1,11-14)

Leitura da carta de são Paulo aos Efésios.
1 11 Nele é que fomos escolhidos, predestinados segundo o desígnio daquele que tudo realiza por um ato deliberado de sua vontade,
12 para servirmos à celebração de sua glória, nós que desde o começo voltamos nossas esperanças para Cristo.
13 Nele também vós, depois de terdes ouvido a palavra da verdade, o Evangelho de vossa salvação no qual tendes crido, fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido,
14 que é o penhor da nossa herança, enquanto esperamos a completa redenção daqueles que Deus adquiriu para o louvor da sua glória.
Palavra do Senhor.


Salmo Responsorial 32/33

Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!

Ó justos, alegrai-vos no Senhor!
Aos retos fica bem glorificá-lo.
Dai graças ao Senhor ao som da harpa,
na lira de dez cordas celebrai-o!

Pois reta é a palavra do Senhor,
e tudo o que ele faz merece fé.
Deus ama o direito e a justiça,
transborda em toda a terra a sua graça.

Feliz o povo cujo Deus é o Senhor,
e a nação que escolheu por sua herança!
Dos altos céus o Senhor olha e observa;
ele se inclina para olhar todos os homens.


Evangelho (Lucas 12,1-7)

Aleluia, aleluia, aleluia.
Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos! (Sl 32,22)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
Naquele tempo, 12 1 os homens se tinham reunido aos milhares em torno de Jesus, de modo que se atropelavam uns aos outros. Jesus começou a dizer a seus discípulos: “Guardai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.
2 Porque não há nada oculto que não venha a descobrir-se, e nada há escondido que não venha a ser conhecido.
3 Pois o que dissestes às escuras será dito à luz; e o que falastes ao ouvido, nos quartos, será publicado de cima dos telhados.
4 Digo-vos a vós, meus amigos: não tenhais medo daqueles que matam o corpo e depois disto nada mais podem fazer.
5 Mostrar-vos-ei a quem deveis temer: temei àquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno; sim, eu vo-lo digo: temei a este.
6 Não se vendem cinco pardais por dois asses? E, entretanto, nem um só deles passa despercebido diante de Deus.
7 Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois. Mais valor tendes vós do que numerosos pardais”.
Palavra da Salvação.


Comentário ao Evangelho

ALERTA CONTRA A HIPOCRISIA
            A hipocrisia era considerada um defeito incompatível com a condição de discípulo do Reino. Daí ter Jesus falado fortemente contra este desvio da personalidade, tão encontrado em certos membros do grupo dos fariseus e dos mestres da Lei.
            A metáfora do “fermento”, aplicada à hipocrisia, é significativa. Como o fermento, ela se infiltra no coração das pessoas, transformando-as por dentro. Da mesma forma que se pode distinguir a massa fermentada da não fermentada, assim também a presença da hipocrisia seria claramente perceptível no modo de proceder dos discípulos. Escondê-la seria impossível.
            Portanto, os discípulos devem ficar muito atentos à mentalidade hipócrita dos fariseus para não se deixarem “fermentar” por ela, e serem tentados a imitá-los, agindo de forma incompatível com a sua condição. Era grande o perigo de confundir as coisas e transformar as práticas religiosas exteriores em elementos centrais da piedade, esquecendo-se de serem puros de coração e, de fato, totalmente consagrados a Deus. Agindo assim, cairiam na tentação de, como os fariseus e os mestres da Lei, considerar-se homens justos, com o direito de menosprezar os demais, taxando-os de pecadores.
            Os discípulos corriam o risco de serem contaminados por esta forma de piedade tão perigosa. Seu modelo de vida deveria ser Jesus, o qual vivia em total coerência com o querer do Pai.

Oração
Pai, que eu não me deixe encantar por falsos exemplos de piedade. Estejam meus olhos sempre fitos em Jesus, cujo exemplo devo seguir para ser agradável a ti.


Sobre as Oferendas

Acolhei, ó Deus, com estas oferendas, as preces dos vossos fiéis, para que o nosso culto filiar nos leve à glória do céu. Por Cristo, nosso Senhor.


Antífona da Comunhão

Os ricos empobrecem, passam fome, mas aos que buscam o Senhor não falta nada (Sl 33,11).


Depois da Comunhão

Ó Deus todo-poderoso, nós vos pedimos humildemente que, alimentando-nos com o Corpo e o Sangue de Cristo, possamos participar da vossa vida. Por Cristo, nosso Senhor.

MEMÓRIA FACULTATIVA

MEMÓRIA FACULTATIVA
SÃO CALISTO I


Oração do Dia

Ouvi, ó Deus, com bondade, as preces do vosso povo e dai-nos o auxílio do papa são Calisto, cujo martírio hoje celebramos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


Sobre as Oferendas

Nós vos oferecemos, ó Deus, este sacrifício de louvor ao comemorarmos os vossos santos; e confiamos que, por sua intercessão, nos liberteis dos males presentes e futuros. Por Cristo, nosso Senhor.


Depois da Comunhão

Senhor nosso Deus, o sacramento que acabamos de receber alimente em nós aquela caridade ardente que inflamava são Calisto na dedicação constante à vossa Igreja. Por Cristo, nosso Senhor.


Santo do Dia / Comemoração (SÃO CALISTO I)

“Todo pecado pode ser perdoado pela Igreja, cumpridas as devidas penitências.” A frase conclusiva é do papa Calisto I, ao se posicionar no combate às idéias heréticas, surgidas dentro do clero, que iam contra a Igreja.

Calisto entendia muito bem de penitência. Na Roma do século II, ele nasceu num bairro pobre e foi escravo. Depois, liberto, sua sina de sofrimento continuou. Trabalhando para um comerciante, fracassou nos negócios e foi obrigado a indenizar o patrão, mas decidiu fugir, indo refugiar-se em Portugal. Encontrado, foi deportado para a ilha da Sardenha e punido com trabalhos forçados. Porém foi nessa prisão que sua vida se iluminou.

Nas minas da Sardenha, ele tinha contato direto com os cristãos que também cumpriam penas por causa da sua religião. Ao vê-los heroicamente suportando o desterro, a humilhação e as torturas sem nunca perder a fé e a esperança em Cristo, Calisto se converteu.

Depois de alguns anos, os cristãos foram indultados e Calisto retornou à vida livre, indo estabelecer-se na cidade de Anzio, onde adquiriu reconhecimento dos cristãos, como diácono. Quando o papa Zeferino assumiu o governo da Igreja, chamou o diácono para trabalhar com ele. Deu a Calisto várias missões executadas com sucesso. Depois o nomeou responsável pelos cemitérios da Igreja.

Chamados de catacumbas, esses cemitérios subterrâneos da via Ápia, em Roma, tiveram importância vital para os cristãos. Além de ali enterrarem seus mortos, as catacumbas serviam, também, para cerimônias e cultos, principalmente durante os períodos de perseguição. Calisto começou suas escavações, organizou-as e valorizou-as.

Nelas mandou construir uma capela, chamada Cripta dos Papas, onde estão enterrados quarenta e seis pontífices e cerca de duzentos mil mártires das perseguições contra os cristãos.

Com a morte do papa Zózimo, o clero e o povo elegeram Calisto para substituí-lo, mas ele sofreu muita oposição por causa de sua origem humilde de escravo. Hipólito, um dos grandes teólogos do catolicismo e pensadores da época, era o principal deles. Hipólito tinha um entendimento diferente sobre a Santíssima Trindade e desejava que determinados pecados não fossem perdoados. Entretanto o papa Calisto I manteve-se firme na defesa da Igreja, rompendo com Hipólito e seus seguidores, respondendo a questão com aquela frase conclusiva. Anos depois, Hipólito reconciliar-se-ia com a Igreja, tornando-se mártir da Igreja por não negar sua fé em Cristo.

O papa Calisto I governou por seis anos. Nesse período, concluiu o trabalho nas catacumbas romanas, conhecidas, hoje, como as catacumbas de são Calisto. Em 222, ele se tornou vítima da perseguição, foi espancado e, quase morto, jogado em um poço. No local, agora, acha-se a igreja de Santa Maria, em Trastevere, que guarda o seu corpo, em Roma.

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